Venda de usados depende da recuperação econômica

O movimento em julho cresceu 7% no setor de veículos usados em relação a junho, e apresenta um aumento ainda menor no acumulado do ano: os negócios evoluíram apenas 3% no período janeiro-agosto em relação ao ano passado.

O saldo é positivo, mas inferior ao aumento de vendas dos carros novos, que apresentam uma evolução de 14,5% no ano. A situação é portanto diferente da ocorrida no ano passado, quando as vendas de usados foram bem superiores a de carros novos.

O cenário político do País afetou a confiança do consumidor, segundo o presidente da Fenauto, federação que reúne os revendedores, Ilídio dos Santos.

“Esperamos que nas propostas dos candidatos para a economia possam surgir pontos para a recuperação das perspectivas de estabilidade e crescimento com a melhora nos índices de confiança dos consumidores”, disse Ilídio.

Segundo o dirigente, o segmento vai depender da recuperação econômica e da confiança do consumidor para ter resultados melhores nos próximos meses.

Moto para atividade rural tem financiamento especial

Parte dos R$ 31 bilhões destinados à agricultura familiar no Plano Safra 2018/2019 do governo federal vai financiar motos de 150cc a 250cc, exclusivamente para famílias agrícolas cadastradas, com taxa de juros entre 0,5% e 4,6% ao ano.

Os planos vão até 120 meses com carência de até 36 meses.

Enquadram-se no financiamento seis motos da Honda, o quadriciclo TRX 420 Fourtrax e mais os motores estacionários. Da Yamaha são cinco modelos.

A entrada de motos no Programa Pronaf Mais Alimentos é resultado do acordo firmado entre a Abraciclo (a associação dos fabricantes) e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.

100 carros seminovos por R$ 30 mil

Existe uma enorme gama de oportunidades no mercado de carros na faixa de R$ 30 mil, valor com o qual você só consegue comprar um Chery QQ no mercado de novos. Todos os demais carros do mercado brasileiro custam acima de R$ 30 mil.

Mas se a opção for por um seminovo, as chances de um bom negócio se multiplicam.

Nós selecionamos 100 carros e comerciais leves, modelos de 2012 a 2019, que podem ser encontrados no mercado na faixa dos R$ 30 mil. Modelos de várias marcas, categorias, tipos de carroceria e motorização. Opções para todos os gostos.

Alguns mal saídos da concessionária, ainda modelo 2019, em estado de zero quilômetro, como um Renault Kwid Life 1.0 12V SCE por R$ 29 mil ou um Fiat Moby Easy 1.0 avaliado em R$ 28,1 mil (o mais barato na lista).

Dois utilitários esportivos fazem parte da lista: um Chery Tiggo FL 2.0 16 válvulas ano 2012 (R$ 30.982,00) e um Lifan X60 modelo 2012, cotado a R$ 30.456,00, conforme tabela Molicar.

Na relação dos 100 modelos por cerca de R$ 30 mil estão seis opções de picapes derivadas de carro de passeio: uma Montana Sport 1.4 oito válvulas ano 2012 por R$ 29.300,00 e outra bem mais nova, modelo 2015, versão LS 1.4 por R$ 30,2 mil. A Strada CS Working 1.4 2014 está cotada a R$ 29 mil e a Saveiro CS City G6 1.6, também 2014, a R$ 28,5 mil. Tem também uma picape da Peugeot, a Hoggar Escapade, modelo 2014, por R$ 29,9 mil.

Outras boas oportunidades são um Citroën C4 Pallas GLX 2.0 ano 2013 por R$ 30.456,00; um Voyage City ano 20-12 por R$ 30.080,00. E que tal um Nissan Versa S com motor 1.6 ano 2013 por R$ 30 mil?

Na mesma faixa de preço é possível comprar um Citroën Aircross GL 1.6 ano 2012 por R$ 29,925,00 e um Hyundai HB20 Confort 1.0 ano 2013 por R$ 29.610,00.

A compra de um seminovo é sempre interessante do ponto de vista financeiro, pois o carro já está depreciado. Segundo o Estudo de Depreciação que define a certificação Maior Valor de Revenda, a média de depreciação do carro no primeiro ano de uso fica em torno de 14%. Nos anos seguintes o índice de depreciação é menor.

Com uma boa pesquisa é possível encontrar seminovos bem conservados e a um preço justo. Veja na lista as 100 opções que selecionamos nessa faixa de preço, conforme cotação da Molicar.

100 carros seminovos por R$ 30 mil

Marca Modelo Ano-Modelo Valor R$
CHERY TIGGO FL 2.0 16V 2012 30.982
FIAT SIENA EL 1.0 8V 2016 30.940
CHEVROLET SONIC SEDAN LT 1.6 16V MT 2012 30.926
FIAT BRAVO ABSOLUTE 1.8 16V 2012 30.900
FIAT IDEA ESSENCE 1.6 16V 2013 30.900
RENAULT MEGANE GRAND TOUR DYNAMIQUE 1.6 16V 2013 30.900
VOLKSWAGEN UP! MOVE UP! 1.0 12V 2014 30.837
PEUGEOT 207 SEDAN ACTIVE 1.4 8V 2015 30.800
RENAULT SANDERO AUTHENTIQUE 1.0 16V 2016 30.800
VOLKSWAGEN SPACEFOX 1.6 8V 2012 30.700
NISSAN MARCH SV 1.0 12V 2014 30.644
NISSAN MARCH ACTIVE 1.0 16V 2015 30.600
VOLKSWAGEN GOL CITY G6 1.0 12V 2016 30.550
CHEVROLET SONIC LT 1.6 16V MT 2013 30.500
FIAT UNO EVO WAY 1.0 8V 2016 30.500
NISSAN TIIDA SL 1.8 16V MT 2013 30.500
PEUGEOT 408 ALLURE 2.0 16V 2012 30.500
TOYOTA ETIOS HATCH XS 1.5 16V 2014 30.500
VOLKSWAGEN FOX PRIME 1.6 8V 2012 30.500
VOLKSWAGEN GOL TRENDLINE G6 1.0 8V 2015 30.500
VOLKSWAGEN POLO 1.6 8V 2012 30.500
CITROEN C4 PALLAS GLX 2.0 16V 2013 30.456
LIFAN X60 1.8 16V 2012 30.456
PEUGEOT 208 ACTIVE 1.5 8V 2013 30.456
KIA PICANTO EX 1.0 12V AT 2013 30.400
PEUGEOT 307 HATCH PRESENCE PACK 1.6 16V 2012 30.400
VOLKSWAGEN GOL CITY G6 1.6 8V 2015 30.400
VOLKSWAGEN PARATI SURF G4 1.6 2012 30.400
NISSAN TIIDA SEDAN 1.8 16V AT 2012 30.361
CHEVROLET ONIX LT 1.0 8V 2014 30.300
NISSAN MARCH SV 1.6 16V 2014 30.300
NISSAN SENTRA 2.0 16V CVT 2012 30.300
VOLKSWAGEN FOX BLUEMOTION 1.0 12V 2014 30.293
CHEVROLET COBALT LT 1.8 8V 2012 30.268
VOLKSWAGEN GOL G6 1.6 8V IMOTION 2014 30.210
CHEVROLET MONTANA LS 1.4 8V 2015 30.200
LIFAN 530 1.5 16V 2016 30.200
NISSAN SENTRA S 2.0 16V MT 2012 30.200
VOLKSWAGEN FOX 1.6 8V 2014 30.200
FIAT MOBI LIKE 1.0 8V 2017 30.174
RENAULT SANDERO STEPWAY 1.6 8V 2012 30.080
VOLKSWAGEN VOYAGE CITY G6 1.6 8V 2012 30.080
CHERY CELER HATCH 1.5 16V 2018 30.000
CHERY CELER SEDAN 1.5 16V 2017 30.000
CHEVROLET COBALT LS 1.4 8V 2013 30.000
CITROEN C3 ORIGINE 1.5 8V 2014 30.000
CITROEN C4 GLX 1.6 16V 2014 30.000
FORD FIESTA HATCH SE 1.6 16V 2012 30.000
NISSAN VERSA S 1.6 16V 2013 30.000
PEUGEOT 207 SW XS 1.6 16V TIP 2013 30.000
VOLKSWAGEN GOL TRACK G6 1.0 8V 2014 30.000
VOLKSWAGEN VOYAGE CITY G6 1.0 8V 2014 30.000
FORD KA S 1.0 12V 2015 29.959
CITROEN AIRCROSS GL 1.6 16V 2012 29.925
FIAT PUNTO ESSENCE 1.8 16V 2012 29.916
PEUGEOT HOGGAR ESCAPADE 1.6 16V 2014 29.900
RENAULT LOGAN AUTHENTIQUE 1.0 16V 2015 29.900
CITROEN C4 GLX 2.0 16V 2013 29.892
NISSAN LIVINA S X-GEAR 1.6 16V 2012 29.870
FORD FIESTA ROCAM SEDAN 1.6 8V 2014 29.800
FIAT 500 CULT EVO 1.4 8V 2012 29.760
VOLKSWAGEN FOX ROCK IN RIO 1.6 8V 2012 29.757
HYUNDAI HB20 COMFORT 1.0 12V 2013 29.610
CHEVROLET CLASSIC LS 1.0 VHC-E 8V 2016 29.600
FIAT SIENA EL 1.4 8V FLEX Eta./Gas. 4p 2014 29.600
VOLKSWAGEN GOL SPECIAL G6 1.0 8V 2015 29.600
FIAT UNO EVO ATTRACTIVE 1.0 8V 2015 29.516
FIAT PALIO ATTRACTIVE 1.4 8V 2014 29.500
PEUGEOT 307 SEDAN PRESENCE 1.6 16V 2012 29.500
VOLKSWAGEN FOX 1.6 8V IMOTION 2012 29.484
FIAT PALIO WEEKEND TREKKING 1.6 16V 2013 29.400
VOLKSWAGEN FOX 1.0 8V 2014 29.400
VOLKSWAGEN SAVEIRO CS STARTLINE G6 1.6 8V 2015 29.400
CHEVROLET MONTANA SPORT 1.4 8V 2012 29.300
CHEVROLET AGILE LTZ 1.4 8V 2013 29.295
FIAT PUNTO EVO ATTRACTIVE 1.4 8V 2014 29.200
TOYOTA ETIOS HATCH X 1.3 16V 2015 29.200
CHERY NEW QQ  ACT 1.0 12V 2018 29.000
CITROEN C4 PALLAS GLX 2.0 16V AT 2012 29.000
FIAT STRADA CS WORKING 1.4 8V 2014 29.000
FIAT UNO EVO WAY 1.4 8V 2014 29.000
NISSAN MARCH SR 1.6 16V 2014 29.000
RENAULT KWID LIFE 1.0 12V SCE 2019 29.000
RENAULT SANDERO TECH RUN 1.0 16V 2014 29.000
JAC J6 DIAMOND 2.0 16V 2013 28.938
CITROEN C3 PICASSO GLX 1.6 16V 2012 28.900
RENAULT CLIO EXPRESSION 1.0 16V 2016 28.900
FIAT PALIO FIRE WAY 1.0 8V 2017 28.800
JAC J3 HATCH S 1.5 16V 2016 28.700
VOLKSWAGEN GOL G6 1.6 8V 2015 28.520
CITROEN C3 TENDANCE 1.5 8V 2013 28.500
PEUGEOT 207 HATCH ACTIVE 1.4 8V 2015 28.500
RENAULT SANDERO PRIVILEGE 1.6 8V 2014 28.500
VOLKSWAGEN SAVEIRO CS CITY G6 1.6 8V 2014 28.500
CHEVROLET CELTA LT 1.0 VHC-E 8V 2016 28.400
FORD FIESTA ROCAM SEDAN SE PLUS 1.0 8V 2014 28.400
VOLKSWAGEN GOL POWER G5 1.6 8V 2013 28.400
PEUGEOT 207 SW ESCAPADE 1.6 16V 2013 28.200
TOYOTA ETIOS HATCH XS 1.3 16V 2013 28.200
FIAT MOBI EASY 1.0 8V 2019 28.100
Fonte: AutoInforme / Molicar

Caoa Chery expande vendas no Brasil

A Caoa Chery mantém ritmo de crescimento no mercado brasileiro desde o lançamento, em março, do Tiggo 2, SUV produzido na fábrica de Jacareí, no interior paulista, e marco principal do início de atuação conjunta das duas marcas no País.

De acordo com dados da Abeifa, a Caoa Chery emplacou em julho 727 unidades dos seus veículos fabricados no Brasil, volume que representa alta de 48,3% sobre junho, quando foram licenciadas 490, e expansão de 46,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado (495).

Marcio Alfonso, CEO da Caoa Chery, atribui ao Tiggo 2 este excelente desempenho. “O SUV, que chegou para marcar definitivamente a entrada da empresa no segmento que mais cresce no País, possui alto valor agregado, o que garante o seu sucesso”, comenta.

Foram emplacadas 456 unidades do SUV em julho, alta de 93,2% em relação a junho (236). A meta da fabricante é atingir, no total, venda de 1.000 unidades neste mês de agosto, graças ao aumento da oferta de produtos e a expansão da rede de concessionárias. “Acreditamos atingir essa meta não só com base na realidade atual do mercado, mas também por conta das nossas campanhas e atuação junto ao consumidor”, diz Alfonso.

De acordo com o executivo, a rede de concessionárias Caoa Chery está preparada para elevar seu patamar de vendas, a partir da disponibilidade de ofertas atrativas para todos os modelos, como revisões gratuitas para o New QQ, multimídia grátis para o Tiggo 2 Look MT e taxas subsidiadas.

Produção de motores da Cummins crescerá 31% no Brasil em 2018

A Cummins estima encerrar 2018 com produção de 42 mil motores no Brasil, alta de 31% sobre o resulfado do ano passado. O crescimento, embora significativo, seria bem mais comemorado caso a base de comparação não fosse ainda tão baixa: em 2017 saíram da linha de montagem da fábrica de Guarulhos (SP) menos 32 mil motores, o terceiro pior resultado anual na última década.

Mas Luís Pasquotto, presidente da Cummins Brasil e responsável pela Unidade de Negócios de Motores na América Latina, diz preferir ver o “lado cheio do copo” e exalta que o volume de 2018 confirmará a retomada do setor, a inversão da curva descendente iniciada em 2011, quando quase 115 mil motores foram produzidos pela empresa no Brasil.

Confirmada a projeção, será o segundo ano consecutivo de crescimento acima dos 30% na produção da Cummins brasileira. Em 2016 a empresa fabricara pouco mais de 24 mil unidades, seu desempenho mais baixo na década e que refletiu, sobretudo, o péssimo desempenho do mercado interno de caminhões.

No primeiro semestre, a produção total de motores chegou a 22 mil unidades, 60% acima do mesmo período do ano passado. Foram 2.980 unidades para ônibus, 75% a mais, enquanto para caminhões foram fabricados 13.685 motores, evolução de 59% .

Nos dois casos, bem acima do crescimento médio do mercado de respectivamente, 50% e 38%.

Mas empresa ainda exibe salto de 58% na fabricação de motores para os segmentos de construção e de 39% em geradores, cuja divisão. assumiu a liderança do mercado interno.

Pasquotto esclarece que o esperado menor crescimento médio no segundo semestre não deriva de desaquecimento das vendas, mas sim da comparação com os últimos seis meses do ano passado, quando os números foram melhores. “Vivemos agora um otimismo moderado”, sintetiza o executivo, que aponta o processo eleitoral, a greve dos caminhoneiros e a estimativa de um PIB menor como alguns dos fatores que prejudicam desempenho ainda mais relevante do setor este ano.

Presente em quase duas centenas de países, a Cummins faturou globalmente US$ 20,4 bilhões em 2017. A divisão de motores, que produz anualmente 1,3 milhão de unidades, responde por 34% da receita mundial, seguida pela área de pós-venda e serviços, com 27%, componentes, responsável por outros 23% e pela de sistemas de força, 16%.

A empresa reportou faturamento de US$ 11,7 bilhões no primeiro semestre, 21% a mais do que há um ano — só segundo trimestre foram US$ 6,1 bilhões, número recorde para o período. Perto de 58% do faturamento global estão concentrados nos Estados Unidos e Canadá. A Europa responde por 11% dos negócios, seguida já bem de perto pela China, país que sozinho alcançou 10% das receitas.

 

“Nunca se cogitou sair daqui. A orientação do grupo, ao contrário, era estarmos saudáveis para quando o mercado retomasse”

 

O braço latino-americano, que sofreu nos últimos anos com o encolhimento dos negócios no Brasil, maior mercado consumidor de motores da empresa na região, registra faturamento equivalente a 6% do total.

Pasquotto, contudo, ressalta que a crise brasileira serviu para que a empresa promovesse vários movimentos e adequações em sua estrutura e processos no sentido de melhorar a rentabilidade, apesar do momento adverso.
Nos últimos três anos a empresa investiu perto de R$ 400 milhões nessas melhorias, inclusive em desenvolvimento e linha de produtos, como a de turbos.

“Nunca se cogitou sair daqui. A orientação do grupo, ao contrário, era estarmos saudáveis para quando o mercado retomasse. Creio que conseguimos”, afirmou o executivo, ainda que reconhecendo que para isso postos de trabalhos tenham sido eliminados ao longo dos últimos anos.

Se a maior preocupação da empresa aqui é a possibilidade de o mercado retornar a patamares de consumo e produção mais elevados no curto prazo, no mundo a Cummins tem buscado diversificar seus produtos e tecnologias com vistas ao futuro e ao seu próprio modelo de negócios. Os investimentos estratégicos autorizados pela matriz em Columbus, Indiana, têm contemplado, em boa medida, o desenvolvimento de produtos e estruturas para a esperada eletrificação da frota mundial.

Foi criada inclusive a Electrified Power, nova divisão mundial que coordena as ações nessa área e que já concretizou a aquisição da Brammo e Johnson Matthey, fabricantes e desenvolvedoras de baterias de alta e baixa tensões, e mais recentemente da EDI, Efficient Drivetrains, dedicada a trens de força eletrificados.

Nos próximos três anos serão alocados cerca de US$ 500 milhões somente nesse segmento. Contudo, assegura Pasquotto, a ideia do grupo  é ter a maior diversidade possível de alternativas técnicas para cada operação e mercado.

Simultanemanete às tecnologias e produtos elétricos,  a empresa seguirá desenvolvendo motores a diesel, a gás natural, biogás e também soluções híbridas.

A empresa vislumbra, por exemplo, o lançamento de motores a diesel Euro 6 ainda em muitos mercados emergentes. O Brasil é um deles e onde, segundo  o esboçado no programa Rota 2030, a tecnologia deve entrar em vigor somente a partir de 2023.

O Rota 2030 acendeu a luz para o futuro do setor

A cerca de oito meses do fim de seu mandato de presidente da Anfavea e com o Rota 2030 próximo de ser aprovado no Congresso, Antonio Megale diz que poderia — e pode — fazer bem mais pelo setor automotivo. O novo programa é obviamente um grande passo, mas apenas uma parte do que o Brasil precisa caminhar para estar totalmente inserido no contexto da produção mundial de veículos, segundo sua análise.

O Rota 2030, na opinião de Megale, apenas acendeu a luz para o futuro. “Quem tem capital precisa saber onde está investindo. A filosofia básica do Rota 2030 é essa: trazer visibilidade, transformar política de governo em política de Estado”.

Nesta entrevista exclusiva ao AutoIndústria o executivo destaca, por exemplo, as deficiências internas que prejudicam a competitividade do produto nacional.  O Brasil, avalia, precisa simplificar a estrutura tributária, dar maior segurança jurídica às empresas e investir em infraestrutura. “Acho que o País não presta muita atenção à sua imagem no exterior”, diz o presidente da Anfavea, que vê como inevitável também o crescimento da oferta de carros híbridos e elétricos no mercado interno.

O Rota 2030 está finalmente em vias de ser votado no Congresso Nacional. O longo tempo transcorrido até aqui gerou frustrações no setor?
Realmente ficou todo mundo muito apreensivo e posso dizer que alguns investimentos até foram protelados. Havia uma série de questionamentos, dúvidas, mas finalmente ele está aí, saiu do papel. E, para as empresas, é melhor saber o que vai acontecer no futuro do que ter qualquer tipo de apoio mais imediato, pontual. O planejamento na indústria automotiva é longo, sempre para cinco ou dez anos à frente. Com o Rota 2030, acende-seu a luz para o futuro, o setor começa a ter horizontes bem definidos.

O programa ajudará a indústria brasileira a ter produtos iguais aos lá de fora?
Em produtos, acredito que já estamos muito próximos ao que existe em mercado mais maduros. Com o Inovar-Auto, avançamos bastante nesse sentido. A indústria investiu, em média, R$ 5 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento ao longo do programa. Em crash-test frontal e traseiro, por exemplo, estamos em linha com os Estados Unidos e Europa.

De quanto será o investimento com o Rota 2030?
Temos de investir R$ 10 bilhões para ter R$ 1,5 bilhão de incentivos. É um valor similar ao que o governo desembolsou com o Inovar-Auto, só que agora as exigências são bem maiores para os fabricantes. Podemos até não chegar a esse valor de investimentos, mas daí o dispêndio do governo também será menor.

” A indústria investiu, em média, R$ 5 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento ao longo do Inovar-Auto”

E como ficará a situação das montadoras de veículos premium, que vieram para cá atraídas pelo Inovar-Auto e desfrutavam de condições particulares? Por que isso não aconteceu no novo programa?
Essa questão ainda terá de ser discutida. É preciso ter uma regra especial para quem tem produção de veículos de baixo volume. Há disposição do governo, da Anfavea e dos fabricantes de encaminhar uma solução. Tanto que um grupo na nossa entidade ainda está discutindo esse assunto.

Dentre as emendas propostas ao Rota 2030, uma amplia de 2020 para 2025 os incentivos para as montadoras que estão localizadas no Nordeste. Qual é a posição da Anfavea a esse respeito?
É um regime local. Não cabe à Anfavea posicionar-se sobre questões regionais.

O senhor vê algum risco de o Rota 2030 não sair efetivamente do papel?
É uma possibilidade muito pequena. Sabemos que há uma série de coisas que têm de acontecer até lá. Falta o decreto que regulamentará o programa, portarias e a aprovação no Congresso Nacional. Se essa aprovação acontecer até setembro, o risco é zero. Se não, o risco aumenta um pouco. Mas pelo que sabemos só há uma MP a ser votada antes do Rota 2030 e, ainda assim, mesmo que eleseja votado somente depois das eleições, há tempo para o aval final do presidente.

O senhor acredita que não haverá, de fato, problemas no Congresso?
Não tem motivos para isso. É um programa que não prejudica o País, ao contrário, só ajuda. Os incentivos para investimento em P&D trazem uma série de obrigações que deixarão os carros mais seguros e eficientes. Nossos veículos terão itens nesses dois quesitos iguais aos que são regulamentados na Europa.

As exportações brasileiras de veículos ainda são quase que exclusivas para a América do Sul. Afinal, com o novo programa, há alguma possibilidade de, no futuro, carros brasileiros disputarem mercados como os dos Estados Unidos ou Europa, por exemplo?
Por que não? O Chile, até pouco tempo, só importava carro do outro lado do mundo. A partir do Inovar-Auto,  ampliamos significativamente nossas vendas para o mercado chileno, que caminha para uma participação de 10% nos nossos negócios externos. Isso mostra que aumentamos nossa competitividade e que temos, sim, condições de exportar para outros mercados.

Ainda é preciso haver melhorias na produtividade para isso?
É essa a agenda que queremos encaminhar: a produtividade. Uma estrutura tributária mais simples seria fundamental nesse sentido. Durante os debates em torno do Rota 2030 até estudamos uma proposta de simplificação, batizada de Reauto. Mas houve algumas dificuldades e acabou não entrando no texto final.

“Esse é o pulo do gato: todo mundo terá de oferecer carros elétricos e híbridos para chegar lá [metas de eficiência].”

“E o carro autônomo? Tem espaço no Brasil?
Todas as empresas apostarão nisso mundialemente, não tem como ser diferente. Os próprios fornecedores de sistemas e autopeças acelerarão investimentos em tecnologia. No Brasil, contudo, o ritmo rumo ao carro autônomo será mais lento do que no restante do mundo. E mesmo lá fora, acredito, será mais devagar do que se previa. Aqui, em particular, vamos dispor de produtos alinhados com os dos demais mercados, mas não teremos tão cedo infraestrutura, estradas e volumes adequados.

A propulsão dos carros do  futuro será apenas elétrica?
O híbrido é um passo para o elétrico e lá para frente acredito que a propulsão será mesmo elétrica. Estamos falando, é verdade, de algo bem mais para frente, são necessários ainda muitos investimentos em infraestrutura e também em tecnologia. A bateria ainda é um problema, convenhamos. Mas não acredito que ela seja a solução do futuro para gerar a eletricidade. Talvez a melhor resposta passe pela célula de combustível.

A queda da alíquota de IPI impulsionará as vendas e lançamentos de veículos elétricos e híbridos no Brasil no curto prazo? Hoje a oferta está limitada a duas ou três marcas apenas.

Sem dúvida! A oferta de elétricos e híbridos no País será maior já no ano que vem, não ainda não muito maior. De qualquer forma, para atingirem as novas metas de eficiência energética, definidas por decreto, será fundamental para as montadoras dispor desses produtos em seus portfólios. Esse é o pulo do gato: todo mundo terá de oferecer elétricos e híbridos para chegar lá.

Quando o senhor assumiu a Anfavea, em abril de 2016, obviamente elencou algumas prioridades para sua gestão. Conseguiu encaminhar todas?
Certamente não esperávamos que o Rota 2030 desse tanto trabalho. Temos ainda uma lista de prioridades para fazer pelo setor e pelo País e nem tudo pode ser encaminhado no ritmo que queríamos. Há questões como desoneração, simplificação tributária, inspeção veicular, logística. Neste último ponto até conseguimos avançar: a partir de um trabalho conjunto, o Ministério dos Transportes apresentará nas próximas semanas estudo sobre as principais rotas rodoviárias utilizadas pela indústria automotiva brasileira, o que permitirá priorizar investimentos. O que está por traz de tudo isso? Competitividade.

Nesse sentido, qual a importâncias das eleições presidenciais?
Qualquer que seja o novo presidente, ele tem de se comprometer com as reformas. Se não resolver o problema da previdência, por exemplo, terá agências de classificação de risco penalizando o Brasil. O País precisa simplificar a estrutura tributária e dar maior segurança jurídica às empresas. Acho que o País não presta muita atenção à sua imagem no exterior. Quem tem capital precisa saber onde está investindo. A filosofia básica do Rota 2030 é essa: trazer visibilidade, transformar política de governo em política de Estado.

Como o senhor avalia o comportamento do mercado interno no ano?
As vendas de 217 mil veículos em julho foram bastante razoáveis. E agosto começou aquecido, com média diária de quase 9,7 mil unidades, contra as 8,8 mil do início do mês anterior. Quando acabou a Copa do Mundo, o fluxo nas lojas aumentou bastante. Tanto é que na virada de julho para agosto cresceu o estoque das montadoras, mas reduziu o disponível nas concessionárias.

Mas o País enfrenta os mesmos problemas do primeiro semestre. O que mudou no pós-Copa?
Há algumas notícias boas: a Petrobrás voltou a dar lucro, a Vale do Rio Doce está num momento bom e o agronegócio, bombando.

Isso gera mais confiança?
Segundo o relatório Focus, na indústria e nos serviços a confiança já melhorou. A expectativa do consumidor também começa a ser mais favorável. O que abalou muito a confiança do brasileiro foi a greve dos caminhoneiros. A própria indústria teve de avaliar custos. O que precisamos é ter alguns anos de tranquilidade.

Elétrico BMW i3 volta ao Brasil com maior autonomia

A base mecânica é a mesma de antes: motor elétrico com 170 cv de potência, transmissão automática e tração traseira. Há evolução no sistema de baterias, que agora tem maior capacidade e permite rodar até 180 quilômetros até a recarga em condições reais de uso. Antes, o carro conseguia rodar cerca de 130 quilômetros.

As baterias de íon-lítio são instaladas no assoalho, o que ajuda na distribuição de peso.

Há mudanças discretas de estilo, concentradas na parte frontal: o novo para-choque tem agora luz diurna de LEDs.

Um gerador a gasolina de 647 cm³ (similar ao motor de uma moto) funciona como um gerador de energia e permite rodar mais 150 km, sendo possível viajar com o modelo.

O sistema entra em funcionamento sempre que a carga das baterias é inferior a 20% da capacidade. O tanque de combustível armazena até 9 litros.

A BMW vai instalar postos de recarga elétrica ao longo da rodovia Presidente Dutra, o que vai possibilitar viagens de São Paulo ao Rio de Janeiro sem que seja preciso utilizar o gerador a gasolina. As unidades devem entrar em funcionamento no segundo semestre.

Volkswagen e Ford estudam parceria mundial por maior competitividade

A Volkswagen AG e a Ford Motor Company reveleram nesta terça-feira,19, a intenção de estabelecer uma colaboração mundial. Para isso, assinaram um “memorando de entendimento” que, dentre outra ações, considera o lançamento de uma nova linha de veículos comerciais.

Em nota, as empresas asseguram que a parceria objetiva a expansão de capacidades e da competitividade de ambas no mercado mundial. Para isso, afirma o documento, serão discutidos projetos em várias frentes. Volkswagen e Ford antecipam que a aliança não prevê “acordos acionários, incluindo participações proprietárias cruzadas”.

“A Ford está empenhada em melhorar nossa qualificação como negócio e alavancar modelos de negócios adaptativos – que incluem trabalhar com parceiros para melhorar nossa efetividade e eficiência”, afirmou Jim Farley, presidente de Mercados Globais da montadora norte-americana.

“As demandas do mercado e dos clientes estão se modificando em uma velocidade incrível. Ambas as empresas já têm posições fortes e complementares em diferentes segmentos de veículos comerciais. Para se adaptarem a um ambiente desafiador, é da mais alta importância ganhar flexibilidade por meio de alianças. Este é um elemento central da Estratégia 2025 do Grupo Volkswagen. A potencial colaboração industrial com a Ford é vista como uma oportunidade para melhorar a competitividade global das duas companhias”,completou Thomas Sedran, diretor de estratégia do Grupo Volkswagen.